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Estudo revela que a recuperação da bio-crosta do solo devido à ausência de pastoreio pode ser benéfica para a regeneração do montado

Um estudo agora publicado na revista Land Degradation & Development (*) avalia pela primeira vez o impacto do pastoreio na presença de musgos e líquenes do solo e para as funções que estes desempenham no ecossistema. Os resultados, obtidos por uma equipa de investigadores entre os quais se encontram as investigadoras cE3c Laura Concostrina-Zubiri e Cristina Branquinho, demonstram para uma região de montado que em terrenos em que o pastoreio já não é permitido há pelo menos 7 anos os musgos e líquenes aumentam 5 vezes. Este aumento tem consequências significativas para a retenção de água e temperatura do solo e, potencialmente, para os processos de regeneração do sobreiro, uma das principais preocupações na gestão dos montados.

Portugal é o país da Europa com maior proporção do seu território ocupado por montado. Trata-se de um dos ecossistemas mais estudados no nosso país, tendo também grande importância sócio-económica devido à produção de cortiça. Entre a enorme biodiversidade que os caracteriza, encontram-se muitas vezes musgos e líquenes – a chamada bio-crosta do solo – que desempenha funções fundamentais para o ecossistema, fixando carbono e azoto no solo, protegendo-o contra a erosão e aumentando a retenção de água, por exemplo.

No estudo agora publicado, os investigadores avaliaram pela primeira vez qual o impacto de existir ou não pastoreio para a capacidade da bio-crosta regular a temperatura e retenção de água do solo, numa região de montado. A região escolhida foi a Companhia das Lezírias, um dos locais de investigação de longo prazo da plataforma sócio-ecológica LTsEr Montado, a cerca de 50 km de Lisboa. Foram seleccionadas três áreas de terreno com diferentes condições de pastoreio: uma área em que os animais pastam actualmente, e outras duas em que o pastoreio já não é permitido há 7 e 17 anos, respectivamente.

A equipa de investigadores determinou que em terrenos em que o pastoreio já não é permitido há pelo menos 7 anos a bio-crosta aumenta 5 vezes, sobretudo em líquenes, chegando a cobrir 17% da superfície do solo. Este aumento tem impactos elevados no funcionamento do ecossistema, uma vez que os líquenes podem absorver e reter água por mais tempo nas suas estruturas do que os musgos. Além disso, os líquenes conseguem também reduzir significativamente a temperatura do solo: em 1ºC a 15cm de profundidade da superfície que cobrem o que pode influenciar o processo de germinação das sementes no solo.

Laura Concostrina-Zubiri, investigadora cE3c e primeira autora do artigo, refere: “As bio-crostas são um elemento muito importante na estrutura e funcionamento do montado devido à sua abundância e capacidade de alterar as condições de humidade e temperatura do solo, entre outras, e no momento de avaliar os serviços dos ecossistemas do montado devem ter um lugar tão importante como outros elementos do ecossistema”. Laura Concostrina-Zubiri refere ainda: “O pastoreio é uma atividade sócio-económica fundamental no montado. No entanto pode pôr em perigo a regeneração do sobreiro de forma indireta, devido aos seus efeitos prejudiciais na abundância e funções cumpridas pelas bio-crostas”.

(*) Concostrina-Zubiri, L., Molla, I., Velizarova, E., Branquinho, C. (2016), Grazing or not grazing: implications for ecosystem services provided by biocrusts in Mediterranean cork-oak woodlands, Land Degradation & Development.

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ldr.2573/abstract

 

Pueden encontrar la noticia en:

http://ce3c.ciencias.ulisboa.pt/outreach/press&events/ver.php?id=658

MONTADO ALENTEJANO ADAPTA-SE ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

O Alentejo recebe um novo projeto LIFE: Adaptação do Montado às Alterações Climáticas, através do contrato de execução do projeto LIFE-Montado-Adapt – MONTADO & CLIMATE, A NEED TO ADAPT, assinado pela ADPM – Associação de Defesa do Património de Mértola, esta semana.  Esta iniciativa apoiada pela Comissão Europeia, reúne 17 parceiros de Portugal, Espanha e Holanda com o objetivo de implementar medidas de adaptação às alterações climáticas nas paisagens de Montado e Dehesa, com 11 propriedades piloto em Portugal e Espanha.

Com base nas condições locais será desenvolvido um Plano ILU (uso integrado da terra) que será executado e monitorizado em 11 propriedades. Após 5 anos existirão diferentes “modelos” de adaptação do Montado às alterações climáticas, que terão uma abordagem multifuncional dos espaços considerando 20 fontes diferentes de rendimento, como a cortiça, plantas aromáticas e medicinais, forragem, lenha, frutos secos, fibras naturais, plantas ornamentais, frutos e vegetais frescos, grãos e sementes, polinização de culturas, créditos de carbono, biomassa, eco e agroturismo etc.

As primeiras reuniões para o arranque do projeto que durará até 2021 e que reúne os principais atores do sector, decorrerão em setembro, na sede da ADPM, em Mértola, no distrito de Beja.

 

Puede encontrar la noticia en:

http://www.tribunaalentejo.pt/tribuna/artigos/montado-alentejano-adapta-se-as-alteracoes-climaticas

Candidatura do montado de sobro a património da humanidade dá os últimos passos

O montado de sobro é o ecossistema perfeito: é um pilar da economia local e nacional, alberga grande riqueza natural, protege os solos desertificados contra a erosão e protagoniza algumas das mais belas paisagens portuguesas. Será que a UNESCO concorda?

A Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR) está a finalizar o dossier, iniciado em 2010, para a candidatura do montado de sobro a património mundial da humanidade. A proposta deverá ser entregue nos próximos meses na Comissão Nacional da UNESCO, a quem cabe fazer a avaliação técnica dos documentos e decidir será haverá uma apresentação formal da candidatura à UNESCO. Se tudo decorrer como previsto, os responsáveis da ERTAR acreditam que o montado de sobro do Alentejo e Ribatejo poderá ser classficado como património da humanidade em 2018 ou 2019.

“Essa classificação vai valorizar todo este espaço, toda esta dinâmica de paisagem cultural única que é o montado. Será excelente para todo este território conseguir esta classificação, com vantagens a todos os níveis”, prevê Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, que explicou, ao PÚBLICO, que o dossier que vai ser entregue na Comissão Nacional da UNESCO“está já na fase final de elaboração técnica”, esperando que “o montado possa ser integrado na lista significativa nacional, para poder, num dos próximos anos, ser candidatado à UNESCO”.

Segundo Ceia da Silva, a comissão executiva de preparação da candidatura envolve a ERTAR, autarquias, organizações de produtores de cortiça e outras entidades ligadas ao sector. “Tivemos um processo muito participado e o documento final está praticamente elaborado. Esperamos que o montado possa vir a ser reconhecido pela UNESCO como um bem universal. O nosso objectivo é que isso aconteça em 2018 ou 2019. O trabalho técnico abrange o Alentejo e o Ribatejo. O que vai ser valorizado é todo este território. Como aconteceu com os dossiers do Douro ou do Pico, tem núcleos próprios de expressão que são os candidatáveis à UNESCO, embora todo o bem seja considerado”, sublinha.

Portugal tem maior mancha de montado de sobro do Mundo, com perto de 750 mil hectares, que correspondem a cerca de 21% de toda a floresta nacional. O país produz mais de 50% da cortiça mundial e exporta mais de 900 milhões de euros em materiais ligados à cortiça por ano. O Alentejo e o Ribatejo são exactamente as regiões onde mais predomina o montado e as áreas dedicadas a esta actividade florestal têm crescido nos últimos anos.

Ceia da Silva sabe que, hoje em dia, as actividades turísticas ligadas ao montado de sobro são muito escassas e conhece apenas alguns projectos de empresas da especialidade dedicados a roteiros de visita ao montado. “O potencial turístico do montado de sobro é enorme, desde os próprio tiradores de cortiça, às questões da identidade, aos produtos da cortiça, às visitas ao montado, às unidades de alojamento viradas para o montado, aos percursos turísticos associados ao montado. Eu diria que é infinita a valorização turística que pode existir”, sustenta o presidente da ERTAR.

Atrasos nos fundos comunitários prejudicam promoção turística
Um dos lamentos do presidente da ERTAR é que o novo quadro comunitário de apoio (QCA)  tarde tanto na sua aplicação efectiva. Ceia da Silva recorda que o QCA 2014/2020 já leva quase dois anos e meio e sublinha que, num país com parcos recursos, muitos projectos estão ainda pendentes da abertura dos respectivos concursos. “Tem prejudicado imenso os objectivos da ERTAR. Temos uma estratégia, fomos das poucas entidades que apresentou uma estratégia 2014/2020, que foi inserida nos documentos de planeamento regional, temos um conjunto de acções para serem implementadas nos próximos anos e estamos a aguardar há dois anos e meio que abram os concursos que possam permitir essas candidaturas”, lamenta o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

Em resposta ao PÚBLICO, Ceia da Silva cita casos como todo o projecto de valorização da cultura avieira no Tejo, mas também os planos de promoção e marketing e os próprios planos de certificação de operadores turísticos. “Nós sabemos para onde vamos, temos um plano estratégico, mas está tudo pendente. Todos sabemos das limitações de verbas que o país tem e tudo está pendente da abertura de concursos para os fundos estruturais. Gostaríamos que este quadro comunitário estivesse operacional o mais rapidamente possível”, conclui.

 

Puede encontrar la noticia en:

https://www.publico.pt/local/noticia/e-se-o-montado-de-sobro-fosse-patrimonio-da-humanidade-o-processo-esta-em-curso-1730829?frm=ult




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